Reivindicação tem como base aumento da produção sucroalcooleira no país nos próximos anos Os produtores de biomassa querem um tratamento diferenciado no mix de fontes geradoras de energia elétrica. Mais que uma alternativa de geração, eles querem provar que a competitividade da fonte pode ser muito maior no setor elétrico. A reivindicação toma como base a produção de açúcar e álcool no ano passado e a previsão de crescimento em função da abertura deste mercado no cenário externo. Segundo a Cogen-SP, associação de cogeração do estado de São Paulo, a produção sucroalcooleira em 2004 foi de 390 milhões de toneladas. Para os anos de 2010 e 2011, a expectativa é de uma produção de 540 a 550 milhões de toneladas. Somente no estado de São Paulo estão sendo construídas 24 novas usinas. Todas influenciadas pela abertura do mercado externo. "Queremos um tratamento mais estratégico da biomassa no setor elétrico brasileiro. A biomassa tem espaço para se tornar uma fonte competitiva, falta apenas incentivo", afirma Carlos Alberto Silvestrin, vice-presidente executivo da Cogen-SP. Ele conta que a associação está desenvolvendo um trabalho que identifica alternativas para tornar a fonte mais competitiva. O trabalho, explica ele, consiste na criação de um produto, chamado de bioeletricidade, que agregue valores de previsibilidade, sazonalidade, localização e potencial de comercialização de créditos de carbono. Inicialmente, está sendo avaliado um potencial de 1,5 mil MW de capacidade instalada em São Paulo e a previsão é permitir que esse volume participe do leilão de energia nova, previsto para acontecer até junho deste ano. Silvestrin conta que espaço para isso o segmento tem. Atualmente, 500 MW de biomassa estão sendo comercializados com as distribuidoras e esse volume pode aumentar devido ao crescimento da produção sucroalcooleira no país. Para ele, o tratamento dado à fonte no Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica foi o principal fator para o desestímulo dos produtores. "Além do valor econômico estabelecido, o programa tratou a fonte como alternativa de geração. Isso fez com que os produtores não enxergassem uma oportunidade de negócio", observa o vice-presidente da Cogen-SP. O assessor para Assuntos de Cogeração da União da Agroindústria Canavieira de São Paulo, Onório Kitayama, também acredita que a fonte pode ganhar espaço no mercado através dos leilões de energia. Segundo ele, duas razões para a participação da biomassa nos leilões seria o tempo de implantação desses projetos e o aumento da produção de açúcar e álcool no Brasil. Para instalar uma usina de biomassa, o empreendedor leva de seis a 18 meses. Excedente - Kitayama ressalta ainda que as regras criadas para o Proinfa não estimularam os produtores. Ele informa que o segmento possui hoje cerca de 120 MW de geração excedente a serem comercializados. Em quatro anos, esse volume deve chegar a 620 MW. "O Proinfa poderia ter estimulado a produção de biomassa, se tivesse criado mecanismos para isso. As regras criadas e o valor econômico não motivaram o segmento", afirma o assessor. O segmento de biomassa foi o único que não preencheu a cota de 1,1 mil MW estabelecidos no Proinfa. A fonte atraiu apenas 655,34 MW. Os outros 444,66 MW serão preenchidos com as fontes eólica e pequenas centrais hidrelétricas. O executivo explica que, com a previsão de aumento da produção do setor sucroalcooleiro, seria possível aumentar a competitividade da fonte no setor elétrico nacional. "A tarifa poderia ser mais alta, inicialmente, mas com a produção em escala e os avanços tecnológicos, a biomassa poderia ficar mais competitiva", complementa o assessor.
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